26 anos de morte de um Padre nascido do povo

geraldo bastos“O meu desejo é, um dia, ver a tua face, na glória sem fim!” (Canta, meu povo)

19 de abril de 1987. Com um pedido de “Abre a porta! Abre a porta!”, o Pe. Geraldo fecha os olhos para este mundo para abri-los na eterna vida. Tão de Escada, em seu livro de poesias “Tempo de saudade” (2012), escreve que “Senhora do Bom Conselho de alegria pulou” ao receber o Pe. Geraldo nesta hora. Durante seu ministério sacerdotal, nosso querido Geraldo dedicou o melhor de si na luta por uma Igreja solidária, formada pelos pobres das regiões de Ponte dos Carvalhos (distrito do Cabo), Morro da Conceição e Escada. Pioneiro na inculturação da Liturgia no nosso país, Geraldo soube, de forma genial, unir a rica cultura de nosso povo nordestino à tradição milenar da Igreja. Cantos, alfaias, pinturas, vitrais, esculturas, dança… Tudo foi captado e convertido em liturgia!

“Povo Santo de Deus, que caminha e que vai… / Alegre e cantando, unido vai… / Para sempre andando à casa do Pai…” (Festa da Padroeira)

A comunidade de Ponte dos Carvalhos, naquela época, era representação fiel de que uma Igreja de todos, especialmente dos pobres, é possível; Igreja que luta pela justiça e fraternidade, sem se desligar do Divino, do sagrado. Com muito carinho, Pe. Geraldo chamava este povo de “Nação do Divino”. De fato, Deus ali habitava de verdade, na união, na partilha dos bens, na fração do pão, assim como acontecia nas primeiras comunidades cristãs (At 2, 42-27). Várias músicas compostas por Geraldo lembram essa “Nação”: “Protege a Nação do Divino, os grandes e os pequeninos” (Sl 113), “Ó Divino, vem te apossar da Nação…”, “Hoje é festa, diz o povo, a Nação Santa de Deus”, “Somos a Nação Santa e o povo eleito…”, “A Nação que te adorava tornaram-na escrava, encheram-na de dor…”. Dom Helder Camara, o então arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, tinha um carinho especial por esta comunidade, considerada por ele a “menina dos olhos”.

Seu senso de justiça aguçado o colocou em várias situações de risco, tendo sido vigiado na época tenebrosa da ditadura militar, ou ainda, ameaçado por usineiros da região. Geraldo jamais se calava diante de injustiças, agindo como seu Senhor.

Somado a tudo isso, várias pessoas que conviveram com Pe. Geraldo são unânimes em falar que ele não media esforços para ajudar quem precisasse. Dona Madalena, da Ponte, lembra que, numa cheia que arrasou a região em 1970, “ele saiu, no meio da noite, de sua cama confortável, quentinha, para ajudar o ‘seu povo’”.

Genival Lima, que conviveu com Pe. Geraldo, lembra que “Geraldo é um mistério. Ele vive em nós. Em tudo…” Tão de Escada, seu afilhado, confessa que jamais o esqueceu. De fato, apesar das investidas contrárias do poder eclesiástico que sobreveio, a Nação do Divino vive em nós. O exemplo de Pe. Geraldo anima a nós, servidores do Reino, a lutar por um mundo mais fraterno e justo, ou seja: “cheio de Deus”. Sua canção já nos lembra:

“Escuta meu amigo, e presta bem atenção… / A Paz está contigo, dentro do teu coração! / Depende só de ti fazer a plantação!” (Príncipe da Paz)

Ou ainda:

…todo aquele que sofre, é Cristo que sofre; todo aquele que ajuda, quem ajuda é Cirineu.” (Canto de Cirineu – Encontro de Penitência)

19 de abril de 2013. Comemoramos 26 anos desta bendita memória. Cantamos com o servidor da Nação do Divino:

  • “Eu vou cantar um bendito, um canto novo um louvor…
  • A vida não é tirada, mas transformada em outra melhor.
  • Desfeita esta habitação, na eterna mansão, a luz, o esplendor.”
  • (Louvação de Fiéis Defuntos)

Esta esperança, que Pe. Geraldo traduziu em canção, é também nossa esperança. Cantando Loas e lamentos, caminhamos neste mundo, guiados pelo exemplo deste homem, que seguiu (e não só seguiu, mas viveu) o Evangelho em sua plenitude. Geraldo vive em nossos corações, peregrinos neste mundo, Nação Santa de Deus. Que lá do céu, da eterna Luz, ele possa pedir ao Divino e à Mãe do Bom Conselho, sua Madrinha, por todos nós! Viva Padre Geraldo!

Anderson Felipe (Vitória de Santo Antão – PE)

Anúncios

Um pensamento sobre “26 anos de morte de um Padre nascido do povo

  1. TENHO MUITA SAUDADE DO MEU TEMPO DE CRIANÇA POIS PE. GERALDO FAZIA , AOS DOMINGOS MISSA DAS CRIANÇA, COM MUITA ALEGRIA. QUE IGREJA BONITA CHEIA DE CRIANÇA CANTANO. FOMOS MUITO FELIZES EM NOSSQA INFANCIA, NOSSA BRIGADEIRAS ERAM DE CRIANÇA..

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s