A frustração dos que não chegam lá

Por André Luís

Os dias de um candidato derrotado. A frustração diante de um quadro de incertezas com relação ao futuro. “Trabalhou tanto”. Nem vamos falar nos cafés vencidos, biscoitos duros, conversas fiadas, pedidos dos eleitores, dinheiro gasto, campanha contra o tempo, outros concorrentes e tudo mais.

Vamos falar da decepção com os eleitores de duas caras, que mostram uma e depois aplicam a outra. Prometem votar em todo mundo e não votam em ninguém. Às vezes nem títulos têm, ou são analfabetos, votam errados em números que não existem.

O candidato fica abandonado, jogado ao circo para ser devorado pelos famintos leões do eleitorado. Em cidade pequena é ainda pior, poucos são os que votam e muitos os candidatos de todos os feitios.

Tem gente que entrou a primeira vez, achou que era só candidatar-se e estaria dentro, na cama ou na fama. Ledo engano, a dificuldade é muito grande. Tem que ralar, gastar as havaianas, tênis ou sapato do bico chato, porque do bico fino ninguém aguenta. As mulheres, não acostumadas, sofreram várias cantadas e quebraram muitos saltos de sapatos. As rasteirinhas deram uma verdadeira rasteira nelas.

No início, os santinhos não chegavam, era aquela ansiedade, quando chegavam tinham muito erros. Eram distribuídos assim mesmo, não havia tempo para correção. As gráficas todas cheias de promessas não cumpridas.

Os prometidos patrocínios nunca chegaram. Os apelidos não ajudaram em nada, pelo contrário, atrapalharam. Hoje as urnas eletrônicas não querem saber de nome, sobrenome ou apelido, só engolem números e vomitam resultados. Muitos eleitores não sabiam em quem votar devido ao grande número de papéis na cidade. Partidos então, um montão. Nem sabemos para que tanto partido. Três ou quatro já seriam ótimos.

Os bons, os maus e os que não tinham a menor ideia de nada, estavam ali, sendo malhados pelo povo, como se palhaços fossem. Santinhos, cartazes, eram todos massacrados, rabiscados, amarrotados e jogados no lixo. Sem contar os bigodinhos, óculos, dentes de vampiros, chapéus e outros nomes impublicáveis, eram acrescentados em tudo que era distribuído ao eleitor. Todos queriam um candidato perfeito. Não existe candidato perfeito, todos têm os seus defeitos e qualidades.

Ninguém sabe por que a legislação eleitoral proibiu a distribuição de brindes e showmícios, aquilo não comprava voto de ninguém. Além do mais, passada as eleições, as camisas eram transformadas em pijamas macios e gostosos de vestir. A lixa de unha daria para comprar voto de alguém? Que coisa mais ridícula! E o showmício, como era bom assistir, de graça, muito artista famoso cantar as suas músicas de sucesso.

Era uma festa! Agora só papel, papel e mais papel. E nem serve para rascunho, está escrito dos dois lados.

Muitos candidatos inexperientes distribuíram páginas inteiras nas ruas. Não adianta, o povo não lê. Quanto menos texto melhor. O que vale são as imagens. Jornal tem que ter muitas fotos e um texto pequeno. No caso da internet, quanto menor melhor.

Ah, ia esquecendo. E os pobres candidatos que largaram a rua e enveredaram na internet.   Passaram dias e noites clicando, teclando, digitando, escrevendo, falando, cansando… Gastaram um dicionário de palavras. Lavraram textos, fizeram discursos de três linhas. Publicaram fotos no Facebook, usaram até o velho Orkut. Uns que nem conheciam nada de informática viviam falando em iogurte. Uma bobagem só.

Ora bolas, palavras novas, desconhecidas e o candidato velho, iletrado, cansado, sapato furado, não podia perder tempo. Pegou o sábio sobrinho de 14 anos e entrou no estranho mundo da teia, da net. E nem falamos nas várias contas que ficaram por acertar.

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5 pensamentos sobre “A frustração dos que não chegam lá

  1. Não devemos dosparaquedustas que caem dos céus quando um candidato se elege. Estaremos de olho nos paraquedustas da gestão que esta entrando.

    • juca, aceita derrota, pq ainda insistes em achar que o coronel jan jan era bom? Olha a desordem que Escada ficou. Te manca cara e aceita que agora é 40 e o governo apra 16 anos ok? entra lu e lá

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